Eu

Eu
O iceberg tem como propriedade a sua parte acima da superfície representa apenas 20% de seu tamanho total. Os restantes 80% ficam submersos. Por analogia, 20% do que sabemos sobre nós, está no nosso consciente e os 80% que não sabemos sobre nós, estão no nosso inconsciente.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

MANIFESTAÇÕES!

precipitação da chuva - quimicadashotoko.blogspot.com

Vejamos a relação entre a terra e a nuvem. A terra recebe, por obrigação, os pingos de chuva vindos da nuvem. Os pingos caem por toda a sua extensão. Então, a nuvem se manifesta na terra, ela faz acontecer regando, represando, inundando. Por outro lado, a nuvem recebe,  por fatalidade, a água em forma de vapor vinda da terra através do calor, consolidando-se em si mesma, nos variados tipos de nuvens. A terra se manifesta na nuvem. Tanto terra e nuvem se relacionam através da água e as respectivas manifestações são compulsórias.

Transportado este exemplo para a nossa vida emocional, temos a terra como a nossa vida cotidiana, que recebe obrigatoriamente situações e os acontecimentos, a nuvem como o campo energético formado pelos conteúdos emocionais e a chuva, tanto quanto o vapor dágua formam as ocorrências. Os conteúdos emocionais são formados pelos pensamentos, sentimentos, desejos e emoções.

O ciclo se forma. Os conteúdos emocionais são emanados da vida diária para o campo energético. No campo energético, estes conteúdos se materializam e despencam na vida cotidiana em forma de acontecimentos, situações, ocorrências e experiências das quais não se podem escapar, sejam elas agradáveis ou dolorosas.

Os agricultores anunciam que jamais se pode plantar laranjas e desta colheita obter-se mangas. A terra produz conforme o plantio, sendo o fruto a conseqüência inevitável da semente. Assim, torna-se inútil alguém reclamar que está colhendo abóbora quando afirma ter plantado couve.

Não é diferente na nossa vida emocional. Temos o hábito de reclamar que somente praticamos o bem e colhemos como conseqüência coisas ruins, ou de que somos justos e só recebemos injustiças. É preciso reconhecer que são os sentimentos (e estes apoiados em crenças) que fazem o ciclo acontecer. Uma vida cheia de sentimentos negativos, perturbadores, difíceis vão provocar situações trágicas, como acidentes, doenças, mesmo debaixo da crença de que está se tendo atitudes “boas”.

Uma maneira de se quebrar o ciclo é a observação atenta às nossas palavras, pois nossas palavras são carregadas de sentimentos. Se uma pessoa diz de forma constante que não sabe o que fazer em determinada situação e vibra um secreto sentimento de medo de perder, suas palavras vão manifestar diversas ocorrências de pegar objetos, eles caírem e se quebrarem, na tentativa de dizer à pessoa olhar com honestidade para suas incertezas, dúvidas em todas as áreas de sua vida. O mesmo se dá com a cozinheira que está sempre se queimando, cujas ocorrências estão lhe chamando a atenção para os seus sentimentos inflamados e perigosos, a fim de evitar o dito popular: “Se plantar vento, colherá tempestade”.

Observe a sua vida. Onde estão ocorrendo “coisinhas” corriqueiras? Quais têm sido as suas falas? Que sentimentos secretos estão por detrás destas ocorrências?
Por Silvio Farranha Filho - psicanalista



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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

VOZ DE COMANDO DOS PAIS!

bronca de mãe - sutian44.blogspot.com

O lar da infância é a base do aprendizado sobre relacionamentos e o profissional. A criança absorve o clima emocional e a situação do lar. Um dos genitores a influenciará fortemente, mesmo sem ter consciência disso, seja na condição de pai/mãe presente ou passivo.

O processo de educação da criança se dá através da relação dela com a autoridade dos pais, onde a criança tem a sua primeira idéia de poder e o seu sistema de valores. Através desta relação a criança vai construir o seu padrão de comportamento, semelhante ao da figura influente, e toda a sua vida, decisão e valores, será afetada por este padrão, sendo transportado para a escola, igreja e mais tarde empresa e relacionamentos.

Como a criança faz isso? Ao observar, olhar, ver mesmo, atentamente os pais, ela cria seus diálogos internos. A partir das observações e dos diálogos internos ela faz elaborações pessoais, pensamentos e sentimentos a cerca do que vê. Estas elaborações dão origens às crenças pessoais, ou sua verdade interna. Esta verdade interna gera suas experiências, vivências, acontecimentos, atitudes, etc. Um exemplo disso é: o pai diz ao filho que ele deve estudar, o filho ao observar atentamente o comportamento do pai em relação ao estudo, diz para si mesmo, ele cobra de mim que devo estudar, quem quer mesmo estudar é ele, pois não o vejo pegar em nenhum livro. Aí, então, o filho tomará uma decisão a respeito do conselho do pai.

Até os seis anos de idade, a criança está junto da mãe ou figura feminina, vivendo a polaridade feminina, cuja carga é dada para o amor, relacionamentos, espiritualidade e maternidade. Dos sete aos quatorze, está mais próxima do pai ou figura masculina, cuja carga capacita para o profissional e o dinheiro. A partir dos quinze, a estrutura emocional, psicológica está formada, e somente poderá melhorá-la por meio de uma tomada de consciência sobre si própria, via processos terapêuticos, com ajuda profissional. Uma relação conflituosa com a mãe, a criança tende apresentar dificuldades em lidar com o seu feminino e espiritualidade. Com o pai corre o risco de viver sem identidade profissional e/ou com muitos conflitos financeiros.

A educação que os pais imprimem à criança é feita pelos comandos imperativos, pois o cérebro reage à ordem. Alguns deles: Não pode! Some! Não! Sai! Incapaz! Vou te bater! Não chore! Você não presta!  Você é o culpado! Cala a boca! Obedeça! Seja bonzinho! Seja o primeiro! Seja responsável! Incompetente! Não vai dar certo!

Através destas ordens, os pais transmitem aos filhos seus valores pessoais, culturais, éticos, religiosos, também medos e tudo que está reprimido, recalcado, negado em seu interior, e a criança tendo o medo natural de perder o amor dos pais e necessitar sempre por aprovação, vai moldando o seu padrão de comportamento, elaborando suas convicções, negando muito de si mesma.

Devemos lembrar que os comandos são todos necessários pois eles estabelecem os limites para a criança, sabe-se que estes comandos não necessariamente formarão um adulto problemático, mas se ele tiver problemas quando adulto, os comandos ditados influenciaram, visto porque, não é o comando ditado, mas a carga emocional que vem acompanhada dele, em muitos casos são: raiva, ressentimento, frustração, mágoa, desprezo, indiferença, desejo de vingança, etc.

Os pais ao expressar claramente suas emoções influenciarão a criança a lidar bem com o mundo dos seus sentimentos, porém ocultando ou negando, farão com a ela tenha muita dificuldade em lidar com o seu emocional.

O aprendizado se dá pela observação atenta das expressões faciais, gestos, tom de voz, dos genitores, direta ou indiretamente, associados ao prazer ou à raiva. O comando dado diante de um desejo manifestado pela criança aborta a vivência do desejo ou anseio, gerando raiva e frustração. Estes sentimentos são transferidos ao inconsciente e perturbam a vida da criança. Na fase adulta transformam-se em conflitos exigindo tratamento.

Exemplo o comando “Não pode!”. A criança ao ouvir de forma constante esta frase contra os seus desejos, cresce pensado que nada pode fazer por livre vontade, reprime ou recalca para a sua sombra a iniciativa, a curiosidade e a espontaneidade. Por mais que deseje ser bem sucedida nos relacionamentos e no profissional, no fundo, ela deseja exatamente é a liberdade de ser criativa e espontânea, ou seja, experimentar as qualidades transferidas à sombra.

Assim, reflita sobre a sua relação com seus pais e questione-se honestamente: você lida bem com o amor, maternidade, espiritualidade e relacionamentos? Como você lida com o profissional, com o dinheiro? Quem você é o que deseja de fato? Quais são as suas necessidades erótico-emocionais? Seus desejos são compatíveis com suas necessidades?
Por Silvio Farranha Filho - psicanalista



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CRIANÇA INTERIOR!

criança interior - elvian - 1diadecadax.wordpress.com

Enquanto a criança cresce, o lado de sua personalidade na esfera emocional também se desenvolve.

Na casa dos pais, a criança não sabe quanto custa a luz que utiliza, o preço das roupas que veste. Ela não sabe que mágica é feita quando deixa o copo que sujou sobre a pia e ele aparece lavado, enxugado e guardado no armário de onde tirou. A criança consome, usufrui, desfruta, se beneficia. Não tem nenhum compromisso com a casa, é sempre servida, tudo lhe está disponível.

Até os seis anos de idade, a criança está junto da mãe, está na polaridade feminina e uma das características do universo feminino é a receptividade, a comunhão e a passividade. Assim a criança psicológica também aprende a desfrutar, a ser servida, não se compromete, não mantém vínculos, somente recebendo, sempre no “me dá!”, é eximia cobradora, pede amor, abrigo, proteção, espiritualidade e segurança.

Da mesma forma que a criança se comporta em casa, a criança interior se expressa nos demais contextos. Uma pessoa adulta tendo esta criança interna mal-resolvida, diante de um emprego, vai optar pelo que oferece maior gama de benefícios, trabalha sem vínculo com a missão da empresa. Na escola, deseja professores paternais, facilitadores e da escola deseja muitos amigos e muitos eventos, tal como num parque de diversões, e chega a mudar de escola se não tiver muitas interações com amigos e eventos. Não se vincula com o estudo. Nos relacionamentos afetivos procura parceiros com as maiores qualidades para oferecer, o primeiro a riqueza, para ter suas necessidades todas atendidas. Não se vincula com o amor, com seus valores emocionais. Deseja a loteria, torce pelo prêmio que atenda aos seus desejos na totalidade. Não se vincula com o produzir, com o construir.

Situações, pessoas, coisas que atendam às necessidades dos envolvidos sem obter deles a contrapartida de um vinculo, compromisso, comprometimento, disponibilidade, está favorecendo este tipo de criança psicológica, representando os pais psicológicos mal resolvidos. Exemplo: Um náufrago aporta numa ilha com um pé de abacates, durante o período que permanecer nela, come todos os abacates, não tendo o compromisso consigo de plantar as sementes das frutas que comer. A ilha por não cobrar a contribuição do náufrago age como a mãe psicológica.

A partir dos sete anos, a criança interior entra na polaridade masculina, que dá a carga do construir, produzir, vincular-se, comprometer-se com valores pessoais. Dá a sua parcela de contribuição à casa, aos pais, à escola. É o período em que a criança escuta: “Sabe quanto custa isso?”.

Se a influencia do lar não for suficiente, a criança psicológica vai estacionar e se identificar com a polaridade feminina. Diante de qualquer compromisso, vínculo, responsabilidade, ela foge espetacularmente, ora de forma rebelde, ora suave e sutil. Se a pessoa portadora desta criança interna não atendeu às oportunidades de educá-la, a Vida se encarregará de fazer o ajuste. Ela enfrentará pelo caminho grandes perdas, quedas, acidentes de toda ordem, doenças, falecimentos, tudo que remeta à dor. A dor pressiona a troca da polaridade fazendo a pessoa reconhecer o valor das coisas e dar a sua contribuição.

E você? Como está sua criança internalizada? Você tem uma fonte que atenda às suas necessidades não tendo, ainda, nenhuma forma de contribuir a favor dela? Então, prepare-se para a perda desta fonte, que fatalmente ocorrerá, mais cedo, ou mais tarde, é só uma questão de tempo.
Por Silvio Farranha Filho - psicanalista



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ORA INTEIRA! ORA DIVIDIDA!

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O que acontece a uma pessoa que estando numa relação fixa, se permite ter amante(s), ou casos extraconjugais?

Essa pessoa vive o pingue-pongue do ora estar inteira, ora estar dividida.

Ela não se sente inteira somente com aquele parceiro. Falta-lhe algo. Este algo que falta parece estar fora dela, na outra pessoa.

É como se ela desse uma parte de si mesma para alguém de fora tomar conta. Quando ela está com um, ou com o outro, ou só, logo vem a sensação de incompleteza, daí corre-se de pessoa a pessoa para voltar a se sentir inteira de novo. Citamos como exemplo o conflito entre marido x namorado. A parte-marido vive com a parceira fixa a responsabilidade e a parte-namorado vive com a amante, a liberdade e o prazer. Duas partes paradoxais dentro da própria pessoa. Nada a completa de fato. Ela precisaria de todos os parceiros de uma só vez, ou de um com todas essas partes reunidas em si, para se sentir inteira.

Enquanto as partes prazer, responsabilidade e liberdade estiverem divididas dentro dela, atrairá tantos parceiros, quanto forem essas mesmas partes, podendo, inclusive, ser levada a um terrível esquartejamento se cada um dos parceiros puxarem para si a parte que retém dela ao se exigir que ela faça a escolha por um, não estando ainda integrada.

Essa divisão pode se originar da infância onde a relação obrigação x diversão não foi saudável. A orientação paterna preconiza que primeiro devemos atender o compromisso e depois atender a diversão. Então prazer e responsabilidade andam juntas. É estar inteiro. Estar inteiro ao expressar-se na atividade, leva a pessoa a encontrar diversão e trabalho na mesma atividade. Nos relacionamentos, a pessoa projeta responsabilidade e liberdade numa só pessoa.

Existindo problemas nessa relação, algo do tipo, a diversão sempre adiada, ou a obrigação sempre negligenciada, a pessoa se divide, tendo uma atividade penosa de um lado e uma prazerosa do outro, um parceiro para construção e outro para o prazer.

Através dos processos terapêuticos é possível alcançar a  integração entre responsabilidade e liberdade. Os principais passos são:
a-     A pessoa descobre que a parte inteira é a sua própria identidade, e esta não se divide.
b-    Enxerga com honestidade suas necessidades eróticas e emocionais, através da análise dos seus sentimentos e pensamentos mais sombrios, pecaminosos e inconfessáveis
c-     Busca atender de forma saudável essas necessidades, integrando dentro de si as partes incompatíveis, tornando-se finalmente única.
d-    Escolhe, então, o parceiro no qual irá expressar-se, sempre tomando conta de si mesma, jamais voltando a se dividir, caminhando cada vez mais para se tornar inteira, completa, resolvida e realizada com quem ela ama, com o planeta e com a sua própria Divindade.
Por Silvio Farranha Filho - psicanalista



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CONFLITOS!

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Ocorre um fato e sobre ele pesam duas coisas: o acontecimento em si e a forma como interpretamos ou reagimos ao fato. O fato, em si mesmo, representa apenas 10% do problema e também não é de nossa responsabilidade, mas os restantes 90% são as nossas reações ao fato e é de nossa competência.

Então, conflito é o sentimento que surge quando percebemos que as coisas não estão saindo do jeito que queremos. Estes sentimentos podem ser: raiva, ciúmes, irritação, mágoa, nervosismo, ameaça, inveja, angústia, frustração, decepção, impotência, apego, culpa, desespero, medo, tristeza, ressentimento, asco, perda, ansiedade, etc.

Para se resolver um conflito, não é necessária abordagem da forma como o fato é ou será resolvido. O foco deve ser dado ao sentimento que nasce da interpretação ou reação. Noutras palavras, uma pessoa ofende a outra, elas podem voltar à convivência e a pessoa ofendida guardar ressentimento. O retorno do convívio foi a solução do fato, mas o ressentimento que ficou é o sentimento que está em conflito e que deve ser tratado.

Resolver um conflito é dissolver o sentimento armazenado. É descarregar a emoção para que ela não se torne pano de fundo para a instalação de outros sentimentos negativos na psique. Isto é possível através de uma elaboração mental honesta e verdadeira.

O conflito quando se instala afeta diretamente a escala de valores, os conceitos pessoais, a filosofia pessoal e a auto-imagem. Para dissolver o sentimento será necessário identificar a crença que o sustenta. Ex. crença na destruição. Uma pessoa portadora desta crença, ao perder o emprego, pode interpretar que houve uma conspiração dos colegas para esse fim, o sentimento de perda está associado a “eles me“ferraram”” e não às suas próprias responsabilidades.

Para elaborar o sentimento negativo podemos nos fazer as seguintes perguntas: o outro me magoou ou eu sou uma pessoa magoável? Eu me permito aceitar as razões do outro? Estou disposto a perdoar ou outro sentimento me move? Quem sou eu? O que quero? O que tenho vergonha em confessar? Minha reação é uma repetição, é um padrão? Já vivi isso antes? Como minha imagem pessoal foi afetada? O que realmente estou escondendo? É uma projeção? É algo que eu quero do outro e não consigo? Qual meu medo real? Por que me permiti ser afetado desta maneira? Em que realmente acredito?

Para saber se a elaboração está no caminho correto, percebamos se o sentimento permanece o mesmo ou se aumenta a cada questão formulada. Nestes casos, significa que ainda não foi feita a pergunta certa, pois somente a pergunta certa tem o poder de dissolver instantaneamente o sentimento negativo e a crença perniciosa que o sustenta. Algumas delas: crença na falta e escassez, no abrigo e proteção, na destruição, no desamor, na inferioridade, na aprovação e rejeição, etc.
Por Silvio Farranha Filho - psicanalista



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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

COMO IDENTIFICAR AS NOSSAS PROJEÇÕES AO ASSISTIRMOS TV!

www.ijep.com.br

Este ensaio ficou longo, infelizmente. Não foi tão simples colocar estas idéias no papel, quanto pensei. Porém, a compreensão deste tema vai facilitar nossa percepção sobre nós próprios. Estou torcendo para isto! Então, vamos lá!
Quando estamos diante da tv assistindo um programa que mexe com as nossas emoções, tais como, filmes, novelas, esportes, algo mágico está acontecendo no momento. Desfrutamos da experiência que o evento nos proporciona, e vivenciamos uma réplica daquele mesmo programa no nosso mundo emocional.
É o nosso inconsciente desejando passar uma mensagem importante sobre algum aspecto da nossa vida. Utiliza-se do programa para se fazer visível, reconhecido. As emoções experimentadas no evento estão, também, presentes na nossa vida cotidiana.
O destaque deste ensaio fica por conta daquelas emoções que nos afetam profundamente de forma positiva ou negativa. A identificação com as  emoções propostas pelo evento, algo do tipo, um torcedor não vai sorrir ao ver seu time perder, mas, sofrer demais mais ou ficar insensível à perda, é a questão.
A identificação com as emoções é chamada de projeção ou transferência. Algo que está escondido dentro de nós se transfere para o programa. Graças a esta dinâmica, podemos descobrir a mensagem e integrá-la em nossa vida. Ex. o jogador deixou a bola escapar e ficamos furiosos, o nosso inconsciente está nos dizendo que não estamos agindo com firmeza em alguma área da nossa vida.
O tratamento consiste de um trabalho interessante e divertido. Vamos tomar como exemplo a novela, pois ela envolve uma trama. Nas tramas hollyoodianas mais antigas, os elementos mais comuns eram: A Donzela, O Vilão, O Herói, A Saga:
A donzela - Geralmente vive despreocupada até ser raptada pelo vilão. Subjugada, sofre muito e deseja com desespero ser salva. Está sempre em perigo. O seu clamor atrai um salvador. Uma vez salva, casa-se com o seu salvador ou lhe dá o beijo compensador.
O vilão - Quem dá origem à saga, é audacioso, ambicioso, inteligente, mau-caráter. Deseja dominar o mundo. Rapta a donzela seja para si ou para exibí-la como troféu. Obtém notoriedade. Enfrenta o perigo e depois se torna o próprio perigo. Cai fatalmente diante do seu maior obstáculo: o herói.
O herói - É quem finaliza a trama. Também audacioso, inteligente, mas bom-caráter. Sensibilizado pelo clamor da donzela arquiteta um plano para salva-la. No desdobramento das ações sofre derrotas parciais, mas para alcançar a vitória final vem a matar o vilão e como prêmio conquista a donzela e vão viver felizes.
A saga - Mais conhecida como a jornada do herói é o caminho que o herói traça para impedir que o vilão conquiste o mundo e resgatar a donzela.
Vejamos os personagens íntimos:
O nosso lado-vilão - quele lado que encarna os nossos desejos abomináveis, ambiciosos, pecaminosos, perturbadores. Promove  ações das quais nos envergonhamos. Na telinha é aquele personagem quem lançamos nossas críticas e julgamentos, pois mostra tudo aquilo que não queremos ver ou reconhecer. O nosso lado-vilão é a nossa Sombra.
O nosso lado donzela-em-perigo - Aquele lado que não deseja ter problemas, só quer sossego. É vítima de um ataque promovido pelo outro. Sofre, chora, lamenta, com as emoções sempre em perigo. Deseja a libertação do sofrimento. Na telinha é aquele personagem quem desejamos acolher, identificados com o seu sofrimento. É o nosso lado "coitadinho-de-mim" lamentando que era feliz!
O nosso lado-herói - quele lado que tem as condições necessárias para resolver a situação, mas que não confiamos o suficiente. Quer matar a todo custo a causa dos nossos sofrimentos. Na telinha é aquele personagem que tem tudo de bom que nos falta e nele transferimos nossos sentimentos de coragem, bravura, inteligência, etc.
Identificando as projeções - Os personagens masculinos representam o lado masculino nos homens ou o animus nas mulheres. Os personagens femininos representam o lado feminino nas mulheres ou a anima nos homens.
Observemos quais personagens nos encantam ou que nos incomodam, e como nos sentimentos em relação às tramas, confortáveis ou desconfortáveis.
Se a vitória desejada não aconteceu, pode ser que estamos carentes de vitórias pessoais e transferimos a sensação de vitória para a trama. A derrota na trama nos faz sofrer duas vezes. O personagem não agiu conforme queríamos, talvez não estamos aceitando as nossas próprias ações. Queremos que o personagem faça o que não estamos conseguindo fazer. Se as cenas parecem violentas demais, chegou o momento de olhar para a própria violência interna que está secretamente escondida dentro de nós. São imorais? É o momento de lidarmos com a falsidade e hipocrisia das nossas convicções pessoais! É tudo aquilo que gostamos? Olhar honestamente nossa pobreza interna, escassez, privações e carências. É apaixonante? Olhemos para as necessidades emocionais e eróticas que nos assolam. São perturbadoras e difíceis? Um olhar para o que está mal resolvido em nós.
Ofereço estes questionamentos para auxiliar nas percepções:
Em relação ao herói - Com o quê eu me identifico com o herói do evento? Quem é a vítima que devo salvar e quem é o vilão que devo atacar? O que admiro em mim? O que rejeito? O que vai me compensar emocionalmente?
Em relação à donzela em perigo: Quem é o herói que vai me salvar, quem é o vilão que me ameaça? Cuido de mim ou desejo ser cuidado? Que liberdade almejo ou que prisão me encontro? Como vou compensar a minha vitória?
Em relação ao vilão - Onde me sinto vilão? Quem estou atacando e quem irá salvar? Onde sou ameaçador? Que sentimentos me movem?Com quem ou o quê vou fatalmente me defrontar?
Em relação à trama - Onde na minha vida estou vivendo esta trama? Vivo perigosamente? Estou enfrentando os conflitos ou simplesmente fugindo? Como lido com as mudanças, aceito ou resisto?
Em relação à jornada do herói - Para onde vou? De onde venho? O que faço aqui? É possível chegar lá? Quais as soluções reais a separação, o prêmio de loteria, a demissão do emprego vão trazer? Devo realmente matar ou conversar com o vilão? É possível a integração do vilão?
Assim, a trama que está se desenvolvendo na novela, é um reflexo da trama da nossa vida, ela está nos convidando a refletir e aprender sobre nós próprios. Como extrair lições? Escreva para você os finais das tramas, faça suas modificações nos capítulos, o que você fizer à novela, serão as suas próprias propostas na vida real. Aceite o final dado pelo autor, mas viva o final que você der.
Quanto mais pudermos dar asas à nossa imaginação, melhores ficam as respostas. Como resultados obtemos aumento da capacidade de percebermos a nós próprios, de nossas escolhas, resolver problemas complicados com soluções simples, reconhecer anossa identidade real.
Por Silvio Farranha Filho - psicanalista


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GRATIDÃO!

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Agradecer significa mostrar ou manifestar gratidão, mostrar-se grato (benefício recebido).

Como você se mostra grato a você mesmo?  à Natureza? à Vida? a Deus/Deusa? Tem  o hábito de agradecer por um favor que pediu? Como você se mostra diante de benefícios que lhe são, ou foram, concedidos a você sem que você aparentemente tenha solicitado?

Agradecer é uma relação. É como nos relacionamos com os benefícios que recebemos. Podemos nos relacionar de duas formas: mercado ou comunhão. Uma relação de mercado é aquela do tipo toma lá dá cá, isto é, eu só agradeço se recebo. Uma forma comum de expressão desta crença é pedir a Deus uma graça e junto com o pedido vai a forma de pagamento, geralmente, uma promessa. Ao receber a graça, corre-se para pagar a promessa. Uma vez paga fica-se quites com Deus. Se a graça não é alcançada, a promessa também não é paga. Daí não se fica quites com Deus. Uma relação de comunhão é aquela do tipo pede e recebe. É a capacidade interna da pessoa se permitir receber o que está pedindo. É a crença interna de ser merecedora da abundância existente no Universo, é viver a sincronicidade, o estar no lugar certo, na hora certa. A relação de comunhão torna a pessoa ecológica, sempre haverá mais de um beneficiado em seus pedidos à vida. Um exemplo de uma relação de comunhão: Um náufrago aporta-se numa ilha onde há somente um pé de abacate. Mostra-se agradecido a si mesmo, por ter tido uma confiança absoluta em sua capacidade de sobreviver; mostra-se agradecido à ilha e pelo pé de abacate. Mostra-se agradecido a Deus por tudo isso que recebeu. Passa então a plantar toda semente de abacate que comer, crendo que se a ilha o serviu, poderá servir a outro também, e confiando a Deus o seu destino. Qualquer que seja o seu destino, deixará a ilha com muitos pés de abacates.

A pessoa que não agradece é considerada por muitos como uma pessoa ingrata. Não agradece a vida que tem, não agradece a saúde que tem, não agradece o trabalho que tem. Já viram pessoas que muito foram beneficiadas e não tem uma mínima manifestação de gratidão a quem as beneficiou? Isto acontece, porque a pessoa tem seu orgulho ferido em não conseguir ter o que deseja, e sente-se humilhada em receber ajuda. Enquanto é ajudada, luta por conter a raiva dentro de si mesma. Tão logo vê-se em condições de dar a si o que deseja, parte em disparada, não tendo o menor gesto de reconhecimento pelos benefícios recebidos. Daí a importância de sabermos como ajudar, se a pessoa deseja realmente nossa ajuda, se ela se permite ser ajudada. Não pelo retorno do agradecimento dela, mas, pelo ato de agradecer a Vida por podermos ajudar.

Se você não agradece ao seu corpo os benefícios da saúde que lhe proporciona, se você não agradece à Natureza pelos bens que ela lhe concede, se você não agradece à Vida pelos benefícios que ela te dá, se você não agradece a Deus/Deusa por ser quem você é, chegou o momento de você despertar para a relação de sincronicidade com o Universo, revendo sua crença interna na limitação e na escassez e se permitir tornar-se merecedor de viver a Lei da Gratidão e da Abundância do Universo.
Por Silvio Farranha Filho - psicanalista



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